(O texto contém spoilers sobre o filme, portanto não leia se ainda não assistiu!)
Falo não apenas por mim, tenho certeza, mas por muitos: somos a geração Harry Potter. Há exatos dez anos – quando eu era apenas uma criança de onze – tive oportunidade de ler o primeiro livro da série, Harry Potter e a Pedra Filosofal, no qual os três personagens principais também tinham onze anos. Não me envergonho em me declarar fã apaixonada da série, muito pelo contrário: é uma pena que a nova geração não tenha tido essa oportunidade. Crescemos não só com os personagens, mas com a história e sua complexidade e até mesmo com os atores: quem não sente uma nostalgia enorme ao ver fotos de Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint nos primeiros filmes e ao lembrar que também éramos crianças naquela época?

E não só isso: Harry Potter ensinou a muitos de nós o prazer da leitura e a paixão pelo Cinema. Se hoje leio, foi porque Harry Potter foi o primeiro livro que peguei por vontade própria e me apaixonei. Não só pela história em si, mas pelo prazer de mergulhar nela através das páginas de um livro. Se hoje tenho uma coleção respeitável de filmes clássicos e livros teóricos sobre Cinema nas minhas estantes, é porque me apaixonei pela Sétima Arte lá pela mesma época e, de novo, por causa do bruxinho.
É neste clima que chegamos ao “começo do fim”: este Relíquias da Morte – Parte I é, na verdade, um filme só, que será distribuído em duas partes: decisão artisticamente acertada, sim, embora provavelmente tomada muito mais por motivos comerciais do que artísticos. Mas divago.

Muito diferente do que estamos acostumados, o longa já começa num clima de grande tensão e até tristeza: a página do Profeta Diário nos lembra que Dumbledore morreu e nos informa que até mesmo uma família trouxa foi assassinada – Voldemort deixou de afetar apenas o mundo bruxo, mas agora também é uma ameaça aos trouxas; Hermione apaga as memórias dos próprios pais para que estes pensem que nunca tiveram uma filha, pensando em sua segurança; uma ex-professora é assassinada; Harry gasta algum tempo olhando para o armário em que vivia até Hagrid ter lhe contado que era um bruxo. A fotografia também nos passa a mesma sensação: escura e sem muitas cores, num clima bem mais sombrio, que serve para acompanhar a narrativa.

Apesar disso, o roteiro também sabe nos presentear com alguns momentos leves ou engraçados aqui e ali, para lembrar que, mesmo passando por tempos difíceis, temos ali relações de amizade e laços que nunca se quebrarão: a cena em que Gina e Harry se beijam, uma outra em que o protagonista dança com Hermione dentro da tenda assim que uma música começa a tocar no rádio ou um outro momento em que a garota ensina Rony a tocar piano.
Álias, o roteiro de Kloves também soube abordar a relação entre os três de maneira coerente: sem perder tempo demais, prepara o terreno para criar o desfecho (que qualquer pessoa que tenha lido Relíquias da Morte sabe qual é) da história, mostrando um Rony que começa a sentir ciúmes da relação de Harry com Hermione. Totalmente sem sentido, já que também fica claro que ela sente um carinho quase que maternal por ele e gosta mesmo é de Rony.
A narrativa em geral funciona de forma fluida, graças a um trabalho excepcional de roteiro e de montagem: podemos citar aqui a seqüência em que vemos os três viajando enquanto ouvimos os nomes dos bruxos desaparecidos sendo citados no rádio; isso cria a tensão necessária e a sensação de que estavam correndo riscos, sem que tempo precise ser perdido, quando a história a ser contada é justamente longa. Outro exemplo é quando descobrimos que Snape é o novo diretor de Hogwarts através do mesmo rádio e logo em seguida somos informados de que os Comensais da Morte estão punindo os alunos que saírem da linha: como o foco da história deixou de ser a escola, não haveria sentido em perder tempo dentro dela, outra decisão acertadíssima.

Dou também destaque a uma animação que foi usada, com a voz de Hermione narrando-a, para contar a história das Relíquias da Morte que se encontra no livro que a garota herdou de Dumbledore; eficaz, o recurso funciona de forma elegante.
Harry Potter e as Relíquias da Morte é um filme que não tem primeiro, segundo e terceiro atos, simplesmente porque não é uma história inteira. Também considerei a decisão de finalizar a projeção exatamente naquele ponto bem acertada, afinal, a partir do momento em que Voldemort consegue a varinha de Sabugueiro, vemos que as coisas começarão a ficar ainda mais difíceis na Parte 2, agora sim, com o terceiro ato, não só de Relíquias da Morte, mas de toda a série.
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Eu A-PAI-XO-NEI na animação das Relíquias da Morte. Muito criativo, prático e de ótimo efeito visual!
Agora sim eu posso comentar!
Chorei muito assistindo esse filme, porque também acompanho a história desde o lançamento do primeiro livro. É muito emocionante ver toda essa saga chegando ao final (apesar de já estar tudo na imaginação por causa do livro). O filme foi muito bem feito, também acho que conseguiram juntar vários detalhes de forma que não alongasse demais essa primeira parte.
Enfim, já estou ansiosa para assistir de novo, e para que chegue logo a segunda parte!